não vou retornar as chamadas não atendidas
não vou abrir os bilhetes recebidos pelo correio
a vida pediu um tempo, não diga nada
não interprete errado se eu quero tentar esquecer
mas sua vida é melhor longe de mim
o sofrimento pede uma cicatrização, não diga nada
antes de dormir, eu ainda lembro
de alguns momentos que passamos juntos
eu sei o quanto foi bom, mas não diga nada
um dia o crepúsculo vai vir com chuva
e a lua cheia estrelada
quem sabe a gente se reencontre, sem dizer nada
não diga, não ouse, não viva
o silêncio me lembra o beijo,
os olhos que falaram calados.
o silêncio me faz te ver do meu lado,
mas eu tenho que te esquecer
vai ser bom para os dois,
não diga nada.
quarta-feira
domingo
ver-te-ei
eu vejo no espelho tudo que passou,
como um retrato da condenação física
as cicatrizes mostram o tumulto dos dias.
eu vejo o tempo atrasado no relógio,
como a estabilidade das memórias,
os ponteiros param para aguardar a hora certa.
eu vejo pela janela o mundo sorrir espontaneamente,
como a estrela cadente que cai
alegrando um coração sonhador.
eu vejo nas anotações perdidas,
como quem ouve vozes numa sala sozinha
o sentimento transposto pelas brigas.
eu te vejo atrás do fogo da vela
que queima solitária no canto da mesa,
apagando depois de um tempo.
como um retrato da condenação física
as cicatrizes mostram o tumulto dos dias.
eu vejo o tempo atrasado no relógio,
como a estabilidade das memórias,
os ponteiros param para aguardar a hora certa.
eu vejo pela janela o mundo sorrir espontaneamente,
como a estrela cadente que cai
alegrando um coração sonhador.
eu vejo nas anotações perdidas,
como quem ouve vozes numa sala sozinha
o sentimento transposto pelas brigas.
eu te vejo atrás do fogo da vela
que queima solitária no canto da mesa,
apagando depois de um tempo.
quarta-feira
machucado
- o que te falta?
- amor.
- eu tenho o que queres.
- mas não soube entregar...
- eu posso tentar de novo?
- volte daqui dois meses...
- porquê?
- é o tempo de cicatrização.
- amor.
- eu tenho o que queres.
- mas não soube entregar...
- eu posso tentar de novo?
- volte daqui dois meses...
- porquê?
- é o tempo de cicatrização.
luz e som
Eu me viro de um lado para o outro na cama. Cama com lençóis amaçados, com travesseiros a mais. Minha escravaninha está empoeirada. Com minhas lentes de contato espalhadas e um copo meio vazio, ou seria um copo meio cheio? Apenas um copo com água, esquecido. Os livros estão ao chão, atirados, abertos em páginas sequer escolhidas. Quatro velas iluminam tudo isso. Preciso de um chá e de um amor, quentes de preferência. A prateleira guarda discos que falam o que penso. As máscaras atrás da porta são para esconder minha tristeza, diariamente.
Os pedaços rasgados das fotos demonstram sorrisos obtidos. Sorrisos tortos, espontâneos, alegres. É tudo um misto de vício e defeito. Um misto de algo que foi e não é. Quero continuar deitada, virando-me de um lado para o outro. A janela aberta traz um cheiro de terra molhada. A chuva sem vento faz com que as velas não se apaguem. O fogo permanece. As lembranças estão vivas. Meu coração bate desproporcionalmente. O bilhete com datas rabiscadas está na cabeceira. Apenas eu faço disso uma memória. Apenas eu faço do amor a esperança. Apenas eu. Sem você. Com a solidão presente. Sem presentes.
Os pedaços rasgados das fotos demonstram sorrisos obtidos. Sorrisos tortos, espontâneos, alegres. É tudo um misto de vício e defeito. Um misto de algo que foi e não é. Quero continuar deitada, virando-me de um lado para o outro. A janela aberta traz um cheiro de terra molhada. A chuva sem vento faz com que as velas não se apaguem. O fogo permanece. As lembranças estão vivas. Meu coração bate desproporcionalmente. O bilhete com datas rabiscadas está na cabeceira. Apenas eu faço disso uma memória. Apenas eu faço do amor a esperança. Apenas eu. Sem você. Com a solidão presente. Sem presentes.
sexta-feira
você vai lembrar
Quando ela for na sacada, vai ver o céu vermelho e um pôr-do-sol que compete com a beleza do mar. Ela verá a areia voando com o vento, mas não verá ninguém caminhando sobre ela. Ficará horas admirando a paisagem encontrada naquele dia. Pensará em todos os momentos que fossem possíveis. Deixará o tempo passar, sem sequer se dar conta.
Ela estava sozinha, não havia uma pessoa para enxugar suas lágrimas, para ouvir seus lamentos, ou mesmo para lhe dar um abraço preciso. O cheiro da maresia se misturava com o cheiro das flores expostas na sacada. O barulho do mar se misturava ao canto dos pássaros. Um lugar.
Na sala, um sofá vazio, uma foto ao lado, um cigarro apagado. A colcha estava amaçada a tempos, no canto do sofá, sem ninguém tocar. A foto estava no local mais próximo da visão, para ser analisada diariamente. Um dia houve dois corpos.
O tempo arrumou tudo para a garota estar naquela situação: sozinha, chorando. Cada mês era um passo evolutivo. Como o bebê que começa a caminhar, cada passo é uma felicidade. Três passos. O tempo mostrou que ser feliz não depende apenas de uma pessoa. Que nem sempre a felicidade é o suficiente, nem sempre o amor é suficiente. A garota fitou o pôr-do-sol como quem se despede da vida.
Ela estava sozinha, não havia uma pessoa para enxugar suas lágrimas, para ouvir seus lamentos, ou mesmo para lhe dar um abraço preciso. O cheiro da maresia se misturava com o cheiro das flores expostas na sacada. O barulho do mar se misturava ao canto dos pássaros. Um lugar.
Na sala, um sofá vazio, uma foto ao lado, um cigarro apagado. A colcha estava amaçada a tempos, no canto do sofá, sem ninguém tocar. A foto estava no local mais próximo da visão, para ser analisada diariamente. Um dia houve dois corpos.
O tempo arrumou tudo para a garota estar naquela situação: sozinha, chorando. Cada mês era um passo evolutivo. Como o bebê que começa a caminhar, cada passo é uma felicidade. Três passos. O tempo mostrou que ser feliz não depende apenas de uma pessoa. Que nem sempre a felicidade é o suficiente, nem sempre o amor é suficiente. A garota fitou o pôr-do-sol como quem se despede da vida.
quarta-feira
relato mudo
Eram dezenove horas. Ele entrava pela porta enquanto eu esperava com o coração vibrando pela espera de um abraço. Eu não queria, mas a partir daquele momento eu teria que aprender a viver sem ele; teria que entender que meus dias não seriam mais os dias dele; teria que aceitar a realidade, bruta, de não ser tocada. Os dias, a partir daquele instante, seriam tempestuosos. Meu rosto não ficaria vermelho devido a vergonha, mas devido as lágrimas que desceriam pelos olhos que não conseguiriam enxergá-lo. Eu ansiava que tudo fosse belo, singelo, incondicional. Que a felicidade superasse, todos os dias, a tristeza. Foi assim, não é mais. Agora eu deveria achar um caminho, fazer com que nada me lembrasse a presença dele, e isso era o passo mais difícil. O carinho e as conversas ficarão presas no ar, nas paredes da sala. O perfume e o modo de abraçar ficarão eternizados cada vez que eu olhar para o sofá. O sorriso será lembrado sempre que eu olhar pela janela e sentir o vento batendo no meu rosto. Aquele olhar pensativo passará pela minha cabeça sempre que eu olhar para os livros. Eu vou sorrir sempre que eu olhar para a minha mão e lembrar do modo como ele a segurava. Eu fecharei os olhos sempre que eu quiser sentir o seu rosto, por que eu gravei cada centímetro com o toque. Vou me surpreender, novamente, quando eu ver a flor que hoje seca entre páginas. Eu vou olhar para a porta e esperar anciosamente pelo dia que ele irá voltar. Vou esperar sentada ao lado, entre lágrimas de quem um dia amou de verdade. Ele saiu pela porta que entrou, para não mais voltar. Ele me deixou sozinha. Eu me apaixonei pelo cara errado. Por que a gente procura o cara errado. Segundo Luís Fernando Veríssimo: é a pessoa errada que te faz perder a cabeça, fazer loucuras, perder a hora; a pessoa errada vai te fazer chorar, mas vai secar suas lágrimas. Ele secou as minhas, com o toque mais sincero. Ainda assim, vou vê-lo quando eu caminhar no parque, abraçar o travesseiro, me deitar na cama, sentar no sofá. Vou ver mesmo que ele não esteja ali, porque dentro de mim a presença dele ainda é forte. O nome dele ainda ecoa na minha cabeça, nos meus versos, nas minhas paredes. O perfume dele permanece na minha roupa, no ar que circula. Ele saiu pela porta, mas deixou um pedaço aqui. Eu vou respirar as lembranças, vou chorar a ausência, vou tocar o vazio. Vou amar, por que o amor não vai embora, ele permanece aqui para falar dele, para falar de nós.
segunda-feira
viver feliz para sempre?
Quando ela era criança, achava que contos de fada aconteceriam quando crescesse. Afinal, que garota não almeja um amor eterno e reciproco? Mas, quando ela cresce vê que os livros não são reais, são apenas histórias fictícias de alguém que vivia de sonho. Só que por um lado, viveu de sonho e não os realizou. Viu que fora dos livros a única mágica que existe é aquela que acaba com tudo.
O muro cai.
Os livros mofam.
O coração chora lágrimas.
O sol queima as flores.
A garota cresce e se apaixona, acha que o mar é de rosas e o vento é perfume. Mas ela se afoga. Ela se sufoca. Garotas olham o mundo diferente, almejam encontrar um grande amor; mas garotos só querem diversão, e acham que garotas são brinquedos.
Você passa anos lendo histórias com "felizes para sempre", mas demora para ver que tudo tem um fim, demora demais e isso lhe traz tristezas.
Ela conhece muitas pessoas, se apaixona diversas vezes, até que encontra um amor. O amor faz as mãos dela tremerem, as pernas ficarem bambas, os olhos brilharem, a boca ter o melhor sorriso misturado com vergonha e um pouco de desejo. Mas sem querer este amor vai se afastando, não o dela, mas o dele. Então ela começa a superar isso com as lembranças. As lembranças, para ela, deveriam saciar o fato da distância começar a se formar, mas ao contrário disso, ela traz uma tristeza na bandeja.
A garota respira memórias. Vive do dia em que o conheceu, da primeira vez que sairam, do primeiro beijo, das vezes que foi surpreendida, das brigas que fizeram tudo ir se apagando. Porém, ele não deve sequer saber dessas informações; sequer deve saber os motivos das lágrimas dela.
As cartas não são enviadas.
A tristeza é escondida.
Ela pára de ligar.
Ela espera que ele procure.
Não ocorre.
A garota começa a ter certeza que contos de fada ficam na infância. Mesmo que o amor exista, nem sempre é reciproco, nem sempre é como queremos. A garota chora, lamenta. Tenta aceitar que tudo acaba.
O muro cai.
Os livros mofam.
O coração chora lágrimas.
O sol queima as flores.
A garota cresce e se apaixona, acha que o mar é de rosas e o vento é perfume. Mas ela se afoga. Ela se sufoca. Garotas olham o mundo diferente, almejam encontrar um grande amor; mas garotos só querem diversão, e acham que garotas são brinquedos.
Você passa anos lendo histórias com "felizes para sempre", mas demora para ver que tudo tem um fim, demora demais e isso lhe traz tristezas.
Ela conhece muitas pessoas, se apaixona diversas vezes, até que encontra um amor. O amor faz as mãos dela tremerem, as pernas ficarem bambas, os olhos brilharem, a boca ter o melhor sorriso misturado com vergonha e um pouco de desejo. Mas sem querer este amor vai se afastando, não o dela, mas o dele. Então ela começa a superar isso com as lembranças. As lembranças, para ela, deveriam saciar o fato da distância começar a se formar, mas ao contrário disso, ela traz uma tristeza na bandeja.
A garota respira memórias. Vive do dia em que o conheceu, da primeira vez que sairam, do primeiro beijo, das vezes que foi surpreendida, das brigas que fizeram tudo ir se apagando. Porém, ele não deve sequer saber dessas informações; sequer deve saber os motivos das lágrimas dela.
As cartas não são enviadas.
A tristeza é escondida.
Ela pára de ligar.
Ela espera que ele procure.
Não ocorre.
A garota começa a ter certeza que contos de fada ficam na infância. Mesmo que o amor exista, nem sempre é reciproco, nem sempre é como queremos. A garota chora, lamenta. Tenta aceitar que tudo acaba.
quarta-feira
quinta-feira
(re)viver
quero sentar na escada,
e deixar o vento trazer um perfume qualquer;
o perfume das flores do jardim ao lado
o perfume da grama sendo molhada.
quero um minuto de silêncio,
uma página riscada;
dizendo frases sobre você,
com rimas perdidas sem razão.
quero gritar ao vento sobre o melhor presente
aquele que ganhei em uma noite fria
de lua brilhante e cheia
quero repetir todos os dias:
como é bom ver o sol nascer,
como foi bom ouvir a melhor frase
dita por ti quando perdemos a hora, deitados.
quero deitar no meio da sala
quando a escuridão a cobrir, sem piedade
só para pensar em tudo
só para fechar os olhos e viver.
e deixar o vento trazer um perfume qualquer;
o perfume das flores do jardim ao lado
o perfume da grama sendo molhada.
quero um minuto de silêncio,
uma página riscada;
dizendo frases sobre você,
com rimas perdidas sem razão.
quero gritar ao vento sobre o melhor presente
aquele que ganhei em uma noite fria
de lua brilhante e cheia
quero repetir todos os dias:
como é bom ver o sol nascer,
como foi bom ouvir a melhor frase
dita por ti quando perdemos a hora, deitados.
quero deitar no meio da sala
quando a escuridão a cobrir, sem piedade
só para pensar em tudo
só para fechar os olhos e viver.
terça-feira
cinzas de abril
cinzas de cigarro cobrem o chão;
restos do fim de algo que existiu,
de algo que não vai voltar a ser o que era.
cinzas de cigarro voam com o vento;
que balança meus cabelos,
que me cega com o tempo.
restos do fim de algo que existiu,
de algo que não vai voltar a ser o que era.
cinzas de cigarro voam com o vento;
que balança meus cabelos,
que me cega com o tempo.
minha vida
eu vivo de nostalgia,
de cartas relidas,
de fotos guardadas.
eu vivo sem nada,
sem abraços presentes,
sem vozes no ouvido.
eu vivo sozinha,
em um mundo turbulento
repleto de castigos.
eu vivo de lágrimas,
de poucos sorrisos.
eu vivo a procura de tudo,
de estrelas cadentes,
de desejos recentes.
eu vivo de espera,
da espera que tudo volte,
que você volte a ser.
eu vivo do teu cheiro,
do caminho que me mostra.
eu vivo de nostalgia.
de cartas relidas,
de fotos guardadas.
eu vivo sem nada,
sem abraços presentes,
sem vozes no ouvido.
eu vivo sozinha,
em um mundo turbulento
repleto de castigos.
eu vivo de lágrimas,
de poucos sorrisos.
eu vivo a procura de tudo,
de estrelas cadentes,
de desejos recentes.
eu vivo de espera,
da espera que tudo volte,
que você volte a ser.
eu vivo do teu cheiro,
do caminho que me mostra.
eu vivo de nostalgia.
Mari Mariana.
a garota carrega uma bagagem
com recordações,
com amores,
com vida.
a garota carrega no olhar
as memórias,
das histórias
que um dia viveu.
a garota que com sorrisos
te encanta.
ela ama, canta, dança.
mari mariana,
uma flor que desabroxa
que dá beleza a quem olha.
com recordações,
com amores,
com vida.
a garota carrega no olhar
as memórias,
das histórias
que um dia viveu.
a garota que com sorrisos
te encanta.
ela ama, canta, dança.
mari mariana,
uma flor que desabroxa
que dá beleza a quem olha.
sexta-feira
no céu ainda é domingo
azul e branco.
nuvens de algodão.
bolinhos de chuva.
sorrisos e perfeição.
o céu é sua imaginação.
bonito e radiante,
mas, infelizmente, distante.
verde e amplo.
o gramado é baixo.
abaixo.
o sol o esquenta.
conforta.
o dia está como domingo.
sol.
silêncio.
chimarrão.
sorriso.
pena ser apenas terça...
nuvens de algodão.
bolinhos de chuva.
sorrisos e perfeição.
o céu é sua imaginação.
bonito e radiante,
mas, infelizmente, distante.
verde e amplo.
o gramado é baixo.
abaixo.
o sol o esquenta.
conforta.
o dia está como domingo.
sol.
silêncio.
chimarrão.
sorriso.
pena ser apenas terça...
sábado
flores de papel
sexta-feira
rotina
Quando você entrar, por favor, feche a porta; logo após vá à janela para fechar as cortinas verdes. Assim a gente se isola neste mundo sem exigências. Desligue o telefone, e acenda as luzes para leres melhor o jornal; leia-o com calma, sentado no sofá. Enquanto isto, eu vou fazer algo na cozinha, e não tente me fazer falar alto por que eu sou louca e vivo rouca; se quiser me ouvir levante-se e vá onde eu estiver. As malditas pastilhas que eu me esqueço de comprar na farmácia têm uma parcela alta na minha rouquidão, mas hoje não é dia de sair; vou deixar de comprá-las mais uma vez.
Você sabe como é: eu sou de gêmeos, mas não sou duas; eu tento ser boa em tudo, mas sou somente aprendiz. Então, não force as atitudes, não me faça sair quando você está comigo, não tente me fazer ver jogos de futebol, ou ir a churrascos aos domingos. Essas coisas me deixam de mau humor, e para melhorar somente um café na cama feito por ti, ou um filme antes de dormir; afinal, só você sabe me deixar boba e gentil.
No final do dia abrace minha boca e beije meus braços; pegue minha mão e veja meu compasso. É nessa hora que eu cometo meu maior crime: amar-te. Só não venha me prender por que eu não aceito correntes, viver livre é bom para te abraçar na manhã seguinte, quando você abrir as cortinhas e sair pela porta. Durante o dia ainda existe uma rotina.
Você sabe como é: eu sou de gêmeos, mas não sou duas; eu tento ser boa em tudo, mas sou somente aprendiz. Então, não force as atitudes, não me faça sair quando você está comigo, não tente me fazer ver jogos de futebol, ou ir a churrascos aos domingos. Essas coisas me deixam de mau humor, e para melhorar somente um café na cama feito por ti, ou um filme antes de dormir; afinal, só você sabe me deixar boba e gentil.
No final do dia abrace minha boca e beije meus braços; pegue minha mão e veja meu compasso. É nessa hora que eu cometo meu maior crime: amar-te. Só não venha me prender por que eu não aceito correntes, viver livre é bom para te abraçar na manhã seguinte, quando você abrir as cortinhas e sair pela porta. Durante o dia ainda existe uma rotina.
quinta-feira
feliz aquele que vê ...
o sol que aquece;
o abraço que conforta;
o olhar que protege;
o vento que esfria;
o sorriso que ilumina;
tudo com a beleza da noite
e o brilhar do dia;
o amarelo da flor,
a mão que guia.
o abraço que conforta;
o olhar que protege;
o vento que esfria;
o sorriso que ilumina;
tudo com a beleza da noite
e o brilhar do dia;
o amarelo da flor,
a mão que guia.
sábado
dúvida
não sei o que é melhor: ter os olhos fechados durante um beijo teu, ou mantê-los abertos para gravar tua beleza.
segunda-feira
primeiro passo
você é o motivo do meu sorriso
o motivo da felicidade é o primeiro passo
dado por nós, hoje.
o motivo da felicidade é o primeiro passo
dado por nós, hoje.
domingo
suspiro de saudade
o lado direito da cama está vazio
o lado esquerdo do peito está se quebrando
o perfume do ar já foi embora
as lágrimas ocupam o lugar do sorriso
me deito e não consigo dormir
pensamentos turbulentos não me deixam agir
eu quero saber o que aconteceu
eu quero voltar no tempo que você ficava aqui
o copo não permanece mais na mesa
as cortinas não se fecham mais a noite
as mãos entrelaçam apenas o travesseiro
as cobertas são o que me esquentam
se eu acordar sozinha, não vou suportar
a ausência de tudo que me fez bem;
a ausência daquele que amei.
o lado esquerdo do peito está se quebrando
o perfume do ar já foi embora
as lágrimas ocupam o lugar do sorriso
me deito e não consigo dormir
pensamentos turbulentos não me deixam agir
eu quero saber o que aconteceu
eu quero voltar no tempo que você ficava aqui
o copo não permanece mais na mesa
as cortinas não se fecham mais a noite
as mãos entrelaçam apenas o travesseiro
as cobertas são o que me esquentam
se eu acordar sozinha, não vou suportar
a ausência de tudo que me fez bem;
a ausência daquele que amei.
sábado
é amor ou engano?!
Do nosso amor restaram a moldura na escrivaninha e as cartas na gaveta. A moldura é apenas mais um lugar para aglomerar o pó; as cartas são apenas a prova da mentira, mencionando o futuro que planejamos e não ocorreu.
Duas voltas com a chave e eu me prendo diante de tais lembranças, que faço questão de não fugir. Eu poderia rasgar a foto, quebrar a moldura, e botar fogo nas cartas. Mas eu deixo tudo ao alcance da lembrança diária. O sofrimento da ausência é substituído pelos momentos recordados.
Agradeço-te os dias e noites em claro; agradeço as flores sem motivo, e as mantenho - secas - entra os livros que leio; agradeço as horas assistindo um bom filme, mas ninguém precisa saber que os vejo novamente para lembrar você; agradeço cada abraço que me aqueceu durante o frio, e todas as vezes que pegou minha mão para me guiar; agradeço cada segundo que esteve comigo, mas não te ligarei para agradecer.
Diariamente eu tento ter coragem para deixar de lado todo esse passado, mas ao invés disto, eu tiro o pó da moldura e releio as palavras doces que escrevia. Eu me tranco no quarto e abro a janela para deixar a luz entrar. Eu seco minhas lágrimas e durmo ao som da música - tempos modernos, do Lulu Santos - que tocava no dia que nos conhecemos.
Dizem por aí que o primeiro amor é o primeiro engano, e só o tempo pode apagar as magoas. O primeiro amor, para mim, é o primeiro brilho nos olhos; e o tempo não faz esquecer, pelo contrário, faz-nos lembrar de tudo que foi bom e não vai voltar.
Duas voltas com a chave e eu me prendo diante de tais lembranças, que faço questão de não fugir. Eu poderia rasgar a foto, quebrar a moldura, e botar fogo nas cartas. Mas eu deixo tudo ao alcance da lembrança diária. O sofrimento da ausência é substituído pelos momentos recordados.
Agradeço-te os dias e noites em claro; agradeço as flores sem motivo, e as mantenho - secas - entra os livros que leio; agradeço as horas assistindo um bom filme, mas ninguém precisa saber que os vejo novamente para lembrar você; agradeço cada abraço que me aqueceu durante o frio, e todas as vezes que pegou minha mão para me guiar; agradeço cada segundo que esteve comigo, mas não te ligarei para agradecer.
Diariamente eu tento ter coragem para deixar de lado todo esse passado, mas ao invés disto, eu tiro o pó da moldura e releio as palavras doces que escrevia. Eu me tranco no quarto e abro a janela para deixar a luz entrar. Eu seco minhas lágrimas e durmo ao som da música - tempos modernos, do Lulu Santos - que tocava no dia que nos conhecemos.
Dizem por aí que o primeiro amor é o primeiro engano, e só o tempo pode apagar as magoas. O primeiro amor, para mim, é o primeiro brilho nos olhos; e o tempo não faz esquecer, pelo contrário, faz-nos lembrar de tudo que foi bom e não vai voltar.
sexta-feira
♥
antes do amor, a proteção
antes da proteção, a confiança
antes da confiança, o afeto
antes do afeto, os olhares
antes dos olhares, a vontade
antes da vontade, o amor.
antes da proteção, a confiança
antes da confiança, o afeto
antes do afeto, os olhares
antes dos olhares, a vontade
antes da vontade, o amor.
segunda-feira
na lua -quase- cheia
Uma noite, um horário e um lugar. Uma pessoa, um sentimento e um gesto. Se tivesse fotos, seriam coloridas e cheias de vida; se tivesse um bilhete, teria uma frase bonita e um pouco de perfume; se fosse um livro, iria para a cabeceira da cama para ser lido todos os dias.
Naquele momento ele segurou as minhas mãos como quem segura um tesouro, firme para não perder. Olhou-me como quem olha um presente, analisando centímetro por centímetro para conhecer. Conversamos como quem passa um texto no ensaio da peça de teatro, com muito entusiasmo. Então, beijou-me como quem dá o primeiro beijo, com medo e desejo. Guardei todos os minutos dentro da memória para, no outro dia, saber que não foi só sonho.
Naquele momento ele segurou as minhas mãos como quem segura um tesouro, firme para não perder. Olhou-me como quem olha um presente, analisando centímetro por centímetro para conhecer. Conversamos como quem passa um texto no ensaio da peça de teatro, com muito entusiasmo. Então, beijou-me como quem dá o primeiro beijo, com medo e desejo. Guardei todos os minutos dentro da memória para, no outro dia, saber que não foi só sonho.
domingo
do que precisamos?!
Você acha que conseguiria ser frio e calculista? Vai achar até o momento que seus cálculos saírem errado e você ver que é hora de sentar e recalcular, de reformular cautelosamente cada passo. Então as lágrimas mancharão as folhas, e os cálculos vão novamente falhar.
Todos nós precisamos de um beijo no pescoço, uma mão dada no parque, uma segunda intenção; todos nós precisamos de amor.
Você se acha popular e cheio de amigos? Vai achar até o momento que precisar conversar e ver que não há alguém para te ouvir ou te consolar. Então você vai se fechar no quarto, e verás o valor do silêncio quando se quer chorar.
Todos nós precisamos de um travesseiro, de um urso para amassar, de folhas rabiscadas; todos nós precisamos gritar.
Você acha que aquele sentimento é para sempre até que vem uma magoa e destrói tudo? Então você vê que o "para sempre" sequer existe, e a maior felicidade pode se transformar na maior tristeza.
Todos nós precisamos fugir, nem que seja por um dia. Fugir da realidade ou da cidade, não importa se você vai ir à praça ao lado de casa, você precisa sentir a liberdade batendo no rosto, e assim você vai ver que a tristeza pode se transformar em felicidade.
Todos nós precisamos viver cada instante, às vezes estar sozinho é mais seguro que estar com outras pessoas, sozinho é não haverá magoas ou lágrimas, não haverá traição ou arrependimentos; sozinho é você e o silêncio, você e seus pensamentos.
Todos nós precisamos de um beijo no pescoço, uma mão dada no parque, uma segunda intenção; todos nós precisamos de amor.
Você se acha popular e cheio de amigos? Vai achar até o momento que precisar conversar e ver que não há alguém para te ouvir ou te consolar. Então você vai se fechar no quarto, e verás o valor do silêncio quando se quer chorar.
Todos nós precisamos de um travesseiro, de um urso para amassar, de folhas rabiscadas; todos nós precisamos gritar.
Você acha que aquele sentimento é para sempre até que vem uma magoa e destrói tudo? Então você vê que o "para sempre" sequer existe, e a maior felicidade pode se transformar na maior tristeza.
Todos nós precisamos fugir, nem que seja por um dia. Fugir da realidade ou da cidade, não importa se você vai ir à praça ao lado de casa, você precisa sentir a liberdade batendo no rosto, e assim você vai ver que a tristeza pode se transformar em felicidade.
Todos nós precisamos viver cada instante, às vezes estar sozinho é mais seguro que estar com outras pessoas, sozinho é não haverá magoas ou lágrimas, não haverá traição ou arrependimentos; sozinho é você e o silêncio, você e seus pensamentos.
simples
quinta-feira
incógnita
- Quem é você?
- Sou a Joana...
- Não perguntei seu nome, perguntei quem é você.
- Sou filha da Ana e do Roberto...
- Não perguntei de quem você é filha, perguntei quem é você.
- Sou uma garota alegre, que está sempre disposta a ajudar os outros...
- Não perguntei suas características, perguntei quem é você.
- Eu sou uma pessoa que gosta de caminhar, de ler, de conversar...
- Não estou querendo saber seus gostos e desgostos, quero saber quem é você!
- Quem sou eu?
(...)
- Sou a Joana...
- Não perguntei seu nome, perguntei quem é você.
- Sou filha da Ana e do Roberto...
- Não perguntei de quem você é filha, perguntei quem é você.
- Sou uma garota alegre, que está sempre disposta a ajudar os outros...
- Não perguntei suas características, perguntei quem é você.
- Eu sou uma pessoa que gosta de caminhar, de ler, de conversar...
- Não estou querendo saber seus gostos e desgostos, quero saber quem é você!
- Quem sou eu?
(...)
sexta-feira
não faça
Não atenda o telefone quando for inconveniente, eu vou ficar braba na sua frente, mas no fundo eu vou entender. Não responda meus recados quando for fora de hora, é só consequência por eu te querer 24 horas.
quarta-feira
cartas de amor
Pego caneta, papel e uma xícara de café. São 2h26 da manhã, hora de começar.
"Como estás?! espero que bem! Queria começar dizendo que tenho que falar e me expressar de uma vez por todas, assim eu vou acabar com essa angústia de não saber o que se sente..."
Às 2h35 da manhã o primeiro papel é amassado e deixado de lado, vamos começar outra vez. Não pode ser tão difícil falar o que eu quero a ele; o café está acabando, e os pensamentos começam a chegar na minha cabeça ...
"espero que esteja tudo bem contigo e que depois destas linhas as coisas não mudem entre a gente. Eu precisava te falar das minhas lembranças, do modo que eu me lembro dos primeiros olhares, das primeiras palavras, e de como a rua era mais segura quando eu caminhava contigo. Sei que tudo aconteceu de um modo que nem eu entendo, foi tão surpreso pra ti como foi pra mim..."
O café acabou e mais uma folha é amassada. Parece que o nó na minha garganta não desata e com isso as palavras não saem do modo que eu imagino.
Água para mais um café. Noite fria para um verão. O relógio aponta ser 3h02 da madrugada e enquanto o tempo passa rapidamente o sono não passa nem perto de mim. Mais um papel, mais uma xícara de café , e a mesma caneta - cansada de rabiscar fatos que são amassados -.
"Como tu estás, nesta noite tão fria?! Hoje pensei muito em ti, em como te dizer algumas coisas que antes não falei. Por mais que já tenham se passado meses, lembro com muita clareza cada dia que te vi, cada palavras que te falei, e teus gestos como se você estivesse agora na minha frente.
Você que sempre teve um jeito marrento de andar, um sorriso meio lateral, e segredos que ninguém consegue desvendar. Sei que diante de tudo as coisas foram se tornando especiais, que os gostos foram sendo expostos, e os segredos compartilhados. Tantas foram as risadas, e as caras fechadas, os abraços, e os olhares que eu não soube interpretar.
Se eu te disser agora que te amo, já vai ser tarde demais, mas ainda assim eu estou aqui em plena madrugada estranha de verão pra te dizer que nada é em vão e que as coisas sempre são na hora certa, mesmo que a hora certa demore. Quando não estava nos meus planos te ter nos meus braços, você me colocou pra dormir, me aquecendo em um fim de tarde frio; quando não estava nos meus planos te beijar, você caminhou comigo em uma rua vazia, eu pude sentir como era seu beijo em uma noite que jamais vou esquecer; quando não estava nos meus planos te deixar, você me abraçou, pediu para eu voltar, mas mesmo assim você fez acabar..."
Já passaram das 4h da manhã e novamente uma folha é amassada e jogada ao chão. Pode não parecer, mas falar de sentimentos é realmente difícil. E mesmo que eu tente dizer algo, o silêncio vai permanecer por medo do que acontecerá posteriormente.
Então comece a prestar atenção no silêncio, no olhar, em um pequeno gesto; eles podem te dizer algo ou mesmo tudo aquilo que palavras jogadas ao vento vão esconder.
"Como estás?! espero que bem! Queria começar dizendo que tenho que falar e me expressar de uma vez por todas, assim eu vou acabar com essa angústia de não saber o que se sente..."
Às 2h35 da manhã o primeiro papel é amassado e deixado de lado, vamos começar outra vez. Não pode ser tão difícil falar o que eu quero a ele; o café está acabando, e os pensamentos começam a chegar na minha cabeça ...
"espero que esteja tudo bem contigo e que depois destas linhas as coisas não mudem entre a gente. Eu precisava te falar das minhas lembranças, do modo que eu me lembro dos primeiros olhares, das primeiras palavras, e de como a rua era mais segura quando eu caminhava contigo. Sei que tudo aconteceu de um modo que nem eu entendo, foi tão surpreso pra ti como foi pra mim..."
O café acabou e mais uma folha é amassada. Parece que o nó na minha garganta não desata e com isso as palavras não saem do modo que eu imagino.
Água para mais um café. Noite fria para um verão. O relógio aponta ser 3h02 da madrugada e enquanto o tempo passa rapidamente o sono não passa nem perto de mim. Mais um papel, mais uma xícara de café , e a mesma caneta - cansada de rabiscar fatos que são amassados -.
"Como tu estás, nesta noite tão fria?! Hoje pensei muito em ti, em como te dizer algumas coisas que antes não falei. Por mais que já tenham se passado meses, lembro com muita clareza cada dia que te vi, cada palavras que te falei, e teus gestos como se você estivesse agora na minha frente.
Você que sempre teve um jeito marrento de andar, um sorriso meio lateral, e segredos que ninguém consegue desvendar. Sei que diante de tudo as coisas foram se tornando especiais, que os gostos foram sendo expostos, e os segredos compartilhados. Tantas foram as risadas, e as caras fechadas, os abraços, e os olhares que eu não soube interpretar.
Se eu te disser agora que te amo, já vai ser tarde demais, mas ainda assim eu estou aqui em plena madrugada estranha de verão pra te dizer que nada é em vão e que as coisas sempre são na hora certa, mesmo que a hora certa demore. Quando não estava nos meus planos te ter nos meus braços, você me colocou pra dormir, me aquecendo em um fim de tarde frio; quando não estava nos meus planos te beijar, você caminhou comigo em uma rua vazia, eu pude sentir como era seu beijo em uma noite que jamais vou esquecer; quando não estava nos meus planos te deixar, você me abraçou, pediu para eu voltar, mas mesmo assim você fez acabar..."
Já passaram das 4h da manhã e novamente uma folha é amassada e jogada ao chão. Pode não parecer, mas falar de sentimentos é realmente difícil. E mesmo que eu tente dizer algo, o silêncio vai permanecer por medo do que acontecerá posteriormente.
Então comece a prestar atenção no silêncio, no olhar, em um pequeno gesto; eles podem te dizer algo ou mesmo tudo aquilo que palavras jogadas ao vento vão esconder.
terça-feira
um.
o primeiro erro é sempre meu, ele se completa com o seu silêncio;
as primeiras desculpas são sempre minhas, elas são aceitas com o seu sorriso;
a primeira indireta se remeteu a você, dita por mim em um momento de coragem;
as primeiras lágrimas caem pelo meu rosto, derramadas por você não estar comigo;
seja o primeiro alguma vez, traga-me o primeiro beijo com sua timidez;
esqueça os erros e pontos fracos, venha até mim e ocupe seu espaço.
as primeiras desculpas são sempre minhas, elas são aceitas com o seu sorriso;
a primeira indireta se remeteu a você, dita por mim em um momento de coragem;
as primeiras lágrimas caem pelo meu rosto, derramadas por você não estar comigo;
seja o primeiro alguma vez, traga-me o primeiro beijo com sua timidez;
esqueça os erros e pontos fracos, venha até mim e ocupe seu espaço.
quinta-feira
biografia
O certo seria começar falando do dia em que a gente se conheceu, mas o começo normalmente é no final. É no final que damos o real valor às pessoas e fatos; que a história toma um rumo, mesmo que ruim; que começamos a ver o que passou!
Em um livro descobre-se de parágrafo a parágrafo uma razão para prosseguir lendo até o fim. O livro da sua vida me mostrou muito, mas eu não li as entrelinhas e deixei muita história para trás. Você não foi um conto de fadas, não chegou com um cavalo branco para me raptar. Não foi uma história em quadrinhos, não era um super-herói com poderes para me salvar. Você é uma história de um romance qualquer, e eu espero que tenha o clássico final feliz de romances.
Afinal, não são as histórias contadas por terceiros que me fazem pensar, mas sim as que meu silêncio pode presenciar, misturado com paixão e medo. Você é daqueles romances com um problema para resolver, que fazem a mocinha sofrer para dar sabor à história. Mesmo que eu diga o quão importante você é para mim, não vai impedir de você mudar as linhas do final, de se afastar, de se tornar apenas um retrato ou um bilhete no mural.
Eu queria que você fosse como meu diário, onde eu escrevo apenas o que me convêm e é relativamente saudável para a memória. Podia ser um livro com todas as frases bonitas que um dia me disse; singelo e sincero. Podia ser meu príncipe encantado, sem cavalo; meu super-herói, sem poderes. Podia ser o amor. O amor é um passeio no parque, um suor no inverno, uma coberta no verão, duas mãos dadas com a imaginação; ele não é clichê, é necessário.
Você poderia resolver o problema, parar de se afastar e partir para o final feliz. Você pode ser aquilo que foi no começo, aquele que me olhava nos olhos antes de tocar na minha mão; que me abraçava antes de tocar meus lábios; que me ouvia como um amigo fiél e dava razão para eu prosseguir lendo o nosso romance.
Em um livro descobre-se de parágrafo a parágrafo uma razão para prosseguir lendo até o fim. O livro da sua vida me mostrou muito, mas eu não li as entrelinhas e deixei muita história para trás. Você não foi um conto de fadas, não chegou com um cavalo branco para me raptar. Não foi uma história em quadrinhos, não era um super-herói com poderes para me salvar. Você é uma história de um romance qualquer, e eu espero que tenha o clássico final feliz de romances.
Afinal, não são as histórias contadas por terceiros que me fazem pensar, mas sim as que meu silêncio pode presenciar, misturado com paixão e medo. Você é daqueles romances com um problema para resolver, que fazem a mocinha sofrer para dar sabor à história. Mesmo que eu diga o quão importante você é para mim, não vai impedir de você mudar as linhas do final, de se afastar, de se tornar apenas um retrato ou um bilhete no mural.
Eu queria que você fosse como meu diário, onde eu escrevo apenas o que me convêm e é relativamente saudável para a memória. Podia ser um livro com todas as frases bonitas que um dia me disse; singelo e sincero. Podia ser meu príncipe encantado, sem cavalo; meu super-herói, sem poderes. Podia ser o amor. O amor é um passeio no parque, um suor no inverno, uma coberta no verão, duas mãos dadas com a imaginação; ele não é clichê, é necessário.
Você poderia resolver o problema, parar de se afastar e partir para o final feliz. Você pode ser aquilo que foi no começo, aquele que me olhava nos olhos antes de tocar na minha mão; que me abraçava antes de tocar meus lábios; que me ouvia como um amigo fiél e dava razão para eu prosseguir lendo o nosso romance.
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